terça-feira, 13 de março de 2012

Pantera - Planet Caravan.



Um dos melhores covers do Black Sabbath. O conceito do vídeo em torno a semente cósmica que povoa planetas com formas de vida também é magnífico.  Combinação perfeita entre concepção visual e o clima da música.



Planet Caravan


We sail,
through endless skies,
stars shine like eyes,
the black night sighs.
The moon,
in silver trees,
falls down in tears,
light of the night.
The Earth,
a purple blaze,
of sapphire haze,
in orbit always.


While down,
below the trees,
bathed in a coll breeze,
silver starlight breaks down the night.
And so,
we pass on by,
the crimson eye,
of great god Mars,
as we travel...
the universe...


Nós velejamos,
Por céus infinitos
As estrelas brilham como os olhos
A noite escura suspira.
A lua,
Em árvores prateadas
Cai em lágrimas
A luz da noite.
A terra,
Uma chama púrpura
De uma neblina cor de safira
Sempre em órbita.
Enquanto desce,
Dentre as árvores
Banhada na brisa fresca
A luz prateada das estrelas rompe a noite.
E então,
Nós passamos perto,
Do olho vermelho
Do grande Deus Marte
Enquanto viajamos
Pelo universo...

segunda-feira, 12 de março de 2012

Jean Giroud 'Moebius' - 1938-2012




Apresento uma modesta galeria da produção de Jean Giraud, mais conhecido como Moebius, desenhista e roteirista francês que perdemos há pouco, no dia 10 de março de 2012. É um convite para os leitores conhecerem sua vasta produção.

O legado de Moebius como desenhista, escritor e artefinalista é extenso e também transcende o universo das histórias em quadrinhos, englobando o cinema, onde colaborou no design e concepção visual de diversos filmes (entre eles Alien, Tron, "The Abyss" ("O segredo do abismo" e "The Fifth Element " "O Quinto Elemento", onde esteticamente é o que mais se aproxima de seu universo criativo, embora longe de ser um filme brilhante).

Formado na escola européia, Moebius também dialogou brevemente com a tradição norte-americana e japonesa. Bastante significativo é o seu Surfista Prateado, belíssima graphic novel roteirizada por outro gigante, Stan Lee.

O poder imagético de seu estilo é imenso. Viajamos pelo velho oeste americano e por mundos futuristas e imaginários. As aventuras do tenente Blueberry remtem ao melhor do western norte-americano e italiano (um toque de John Ford, Sergio Leone e Clint Eastwood). Sua ficção científica e fantasia estão repletas de referências futuristas, art nouveau, surrealismo expressionismo e diversas outras escolas reelaboradas com maestria, além de elementos orgânicos próximos a arte de HR Giger. Humor mordaz, com crítica social e um erotismo elegante calcado na celebração do corpo humano sempre estão presentes em seus roteiros.

Há um bom artigo no site Universo HQ abordando a trajetória de Jean Giraud. Creio que a melhor forma de homenageá-lo é conhecer ou redescobrir suas obras.


























domingo, 11 de março de 2012

Heaven's Gate (O Portal do Paraíso) direção de Michael Cimino, 1980





Durante os preparativos para a comemoração dos 500 anos do “Descobrimento” do Brasil corria um boato de que um filme que reconstituiria historicamente o acontecimento estaria entre os eventos elencados para o ano 2000. Não era uma informação que ocupasse lugar de destaque na mídia. Apenas poucas linhas. O projeto, segundo alguns, recebeu o título provisório de “Gonçalo”, nome do grumete de uma das naus. Seria, portanto, uma história contada sob o ponto de vista de um simples marinheiro. Aventava-se a hipótese do personagem ser interpretado por Antonio Banderas. A direção ficaria a cargo do norte-americano Michael Cimino. No entanto, do tal empreendimento, que envolveria capital europeu, brasileiro e estadunidense, nunca mais se falou. Creio que pouquíssimas pessoas se recordam destes boatos. Caíram no esquecimento, assim como o nome de Michael Cimino.

Nascido em New York em 1939, Cimino iniciou sua trajetória como roteirista. Em 1974 rescreveu e dirigiu o policial Thunderbolt and Lightfoot  (no Brasil O Último Golpe). Em 1978 dirigiu The Deer Hunter,  O franco atirador. Grande sucesso de público e crítica, o filme, entre outros prêmios, recebeu 5 Oscar, incluindo o de melhor diretor para o cineasta novaiorquino.

Pela sua visão pessimista e crítica da sociedade americana, em especial aos aspectos violentos que atravessam sua história, Cimino pertence a um grupo de realizadores talentosos como Arthur Penn, Sam Peckinpah, William Friedkin e Don Siegel. E o conjunto de sua breve obra (sete filmes num espaço de 22 anos) e a genialidade de sua pode, sem exageros, colocá-lo ao lado de Francis Ford Coppola, Martin Scorcese, John Huston, John Ford entre outros mestres.

Todavia, seu caráter centralizador, irascível, perfeccionista e o gosto em escavar e expor aspectos sombrios e incômodos da história norte-americano contribuíram para abortar seu desenvolvimento. Soma-se a isto as intricadas relações de poder e dinheiro da industria cultural.

Após o enorme êxito de The Deer Hunter, Cimino ganhou carta branca para fazer seu próximo filme do jeito que quisesse. O resultado foi a obra-prima Heaven's Gate (O Portal do Paraíso, no Brasil). A produção e filmagens ocorriam num clima de segredo. O extremo perfeccionismo do diretor dominou a pré-produção e filmagens. Cimino proibiu que produtores e executivos adentrassem o set. Trocou várias equipes de cenógrafos até que conseguisse o resultado desejado, entre várias histórias.

Se artisticamente o resultado foi magnífico, algo que percebemos hoje, pois na época foi mal-recebido pela crítica, do ponto de vista empresarial e financeiro foi um desastre. De um orçamento de 45 milhões de dólares foi arrecadado 1 milhão, levando a United Artists à falência.
O nome de Cimino tornou-se maldito. Um investimento de altíssimo risco. Só voltaria a filmar em 1985, sob rígido controle financeiro e em parte criativo. De qualquer maneira, veio o ótimo Year of the Dragon (O ano do Dragão).






Heaven's Gate aborda os conflitos entre a Associação dos Criadores de Gado, liderados pelo implacável Cantom, e imigrantes poloneses que desejam se estabelecer em várias regiões, entre elas o Wyoming, em 1890. Os latifundiários acusam os imigrantes de roubo de gado e temem agitação política. Elaboram uma lista de 125 colonos a serem mortos. Pistoleiros e mercenários são contratados, sem que o Estado interfira, ou melhor, ele  é corresponsável pela chacina, dando carta branca aos latifundiários.
O ponto central do filme é a iniciativa solitária do xerife James Averill (Kris Kristofferson) em proteger os imigrantes dos barões do gado. Entrementes há o romance entre Averill e Ella Watson, que administra um bordel. Esse amor é disputado pelo pistoleiro Nathan “Nate” Champion (Christopher Walken), que ironicamente é amigo do xerife e trabalha para a Associação dos Criadores de Gado (ele mata um imigrante que havia roubado gado no começo do filme). Entretanto, Nate muda de lado quando percebe que Ella está na lista daqueles a serem assassinados.

Um aspecto importante do filme é a noção de comunidade, de coesão, de celebração. Assim Heaven's Gate começa com a longa sequência das festividades de formatura da turma de 1870 na Universidade de Harvard emCambridge, Massachssets. Após o sisudo discurso do reverendo, o recém-formado Billy Irvine, irreverente, fala das mudanças que o tempo acarreta e a necessidade de termos sonhos e projetos consistentes. Vinte anos depois, encontramos Billy rico fazendeiro e horrorizado com a iniciativa de seus colegas barões do gado. No mesmo hotel reencontra o amigo Averill e o coloca a par da situação. Temos uma cena melancólica num jogo de bilhar, onde os personagens sabem que seus ideais estão fadados ao fracasso. O xerife James, porque seus poderes são limitados e enquanto a Billy, porque é “um escravo de sua casta”, pode ser contrário à matança, porém é sempre voto vencido. De qualquer forma o personagem de John Hurt nos brinda com ótimas tiradas sarcásticos, como uma válvula de escape para sua angústia. Acaba acompanhando a expedição a contragosto.

Outro ponto de união é o salão de festas Heaven's Gate, na cidadezinha dos imigrantes em Wyoming. Palco da célebre sequencia da dança com patins (talvez a marca registrada deste filme lamentavelmente esquecido) e assembléia onde se discutem os rumos da comunidade frente aos acontecimentos tenebrosos que se aproximam.

Desse modo, temos um épico desesperançado, onde a nação foi construída também com desmandos e sangue de inocentes. Melancolia acentuada pela bela partitura de David Mansfield nos créditos iniciais, e os tocantes momentos em que os poloneses carregam seus pertences e mortos pelo campo. Sem esquecer os toques e trocas de olhares do trio principal James, Ella e Nate.








Algumas razões para o fracasso do filme podem ser encontradas na conjuntura política da época. Era o início de tempos conservadores na sociedade norte-americana, o governo de Jimmy Carter arcava com crescente impopularidade, alimentadas pela recessão econômica e a política externa que não agradou o eleitorado. Logo chegaria a era Ronald Reagan e sua agenda neoliberal, que aproveitou bem este clima de insatisfação, com um discurso ufanista e calcado no militarismo. Um discurso voltado para o futuro, e em preto e branco (ou seja bastante maniqueísta). Urgia recuperar a autoestima americana, em baixa desde a Guerra do Vietnã e do escândalo Watergate. Sem em parte da década de 1970, filmes que tocavam em aspectos desconfortáveis da sociedade podiam se comunicar bem com o público e galgar relativo sucesso, no final do decênio a atmosfera mudou. Ao que parece o público se cansou deste tipo de cinema, entre outros fatores. O cinema espetáculo retorna sob novas formas. Heaven's Gate é contemporâneo de Superman II e de Guerra nas Estrelas (ou melhor, O Império Contra Ataca), que revigorou à industria cinematográfica (contribuindo para o predomínio dos blockbusters). De qualquer forma vale ressaltar que muitos filmes comerciais da década de 1980 eram, em termos de roteiro e direção, bem mais consistentes que a maioria da produção atual. Certa nostalgia do cinema (e mesmo produção televisiva) desta época não é gratuita. Mas essa discussão fica para outro momento.

Assim, o filme acabou caindo na incompreensão e esquecimento. A Critica norte-americana foi impiedosa. Os europeus, em especial os franceses, perceberam e destacaram suas qualidades. Aos poucos foi virando cult.

Em 2005 aparece uma versão sem cortes e com a disposição das cenas segundo a concepção do diretor e com a duração original de 219 minutos (convém lembrar que o estúdio impôs uma versão de 149 minutos e com uma montagem distinta), foi apresentada na França e nos EUA em salas selecionadas, com boa aceitação do público. Isabelle Hupert, por exemplo, apresentou uma exibição no Museu de Arte Moderna, em New York.






Ficha Técnica:

Direção: Michael Cimino
Roteiro: Michael Cimino
Produção: Joann Carelli;Denis O'Dell;Charles Okun;William Reynolds
Música: David Mansfield
Fotografia: Vilmos Zsigmond
Desenho de Produção: Tambi Larsen
Direção de Arte: Spencer Deverell; Maurice Fowler
Figurino: J. Allen Highfill
Edição: Lisa Fruchtman; Gerald B. Greenberg; William Reynolds; Tom Rolf.
Elenco:
Kris Kristofferson James Averill
Christopher Walken Nathan D. Champion
Isabelle Huppert Ella Watson
Jeff Bridges John L. Bridges
John Hurt Billy Irvine
Sam Waterston Frank Canton
Brad Dourif Mr. Eggleston
Richard Masur Cully
Joseph Cotten The Reverend Doctor
Ronnie Hawkins Major Wolcott
Paul Koslo Mayor Charlie Lezak
Margaret Benczak Mrs. Eggleston
Jim Knobeloch Kopestansky
Erika Petersen Mrs. Kopestonsky
Gordana Rashovich Mrs. Kovach




quinta-feira, 8 de março de 2012

Dougal Dixon - The New Dinosaurs: An Alternative Evolution.



O primeiro livro que li de verdade, lá pelos meus sete anos, era sobre dinossauros. Pertencia a uma coleção da editora Record, dos anos 1960, de origem norte-americana, sobre temas diversos: grandes inventores e seus inventos, foguetes e espaçonaves, grandes rios do mundo, a meteorologia, história da medicina e por aí vai. Eram livros de capa vermelha, com um globo bastante estilizado. O texto era bastante agradável e com ilustrações muito boas.

Justificar nosso fascínio, gosto ou mesmo amor pelos dinossauros é tarefa complicadíssima. O simples porque sim é uma tentação, mas sei que não é suficiente. Entretanto, como todo gosto, envolve afetos difíceis de descrever. O tamanho imenso, sua inumanidade, força e resistência que os tornos senhores da Terra por largo espaço de tempo. Não vou mais me estender sobre o assunto. Simplesmente gosto muito deles.

Dixon já é conhecido dos leitores Do Labirintos do Ser, pelo livro After man. Apresento outro magnífico trabalho de zoologia especulativa, The New Dinosaurs: an alternative evolution (Topsfield, MA: Salem House Publishers, 1988).

A premissa do livro é bem simples: a grande extinção do fim do período Cretáceo há 65 milhões de anos (cuja causa, súbita ou gradual, ainda é controversa)simplesmente não aconteceu. O suposto meteorito não caiu, o plâncton e as algas marinhas foram capazes de se adaptar as mudanças na temperatura da água. Do mesmo modo, os animais terrestres resistiram às doenças e parasitas. Assim, a vida animal que se desenvolveu ao longo dos 150 milhões de anos da era Mesozoica continuou a evoluir, pelo menos, por mais 65 milhões de anos sem interrupções.

Os dinossauros que existiriam hoje seriam bastante diferente daqueles que predominaram durante a era Mesozoica. A evolução produziu delirantes, porém plausíveis, dinossauros com cobertura de pelos, penugens e bicos de aves, design simiesco, girafas e zebras reptilianas...
Sobre a questão da inteligência, Dixon não acha plausível a possibilidade dos dinossauros desenvolverem um raciocínio lógico e intuitivo que associamos ao homo sapiens. Fica descartado os dinossauros antropomórficos ou repteis humanoides.
Seriam animais mais espertos, com técnicas de caça cada vez mais sofisticadas e eficientes e habilidades cooperativas. Algo como os raptors da série Jurassic Park.

Ilustrações são soberbas, e suas descrições imaginativas de morfologia, reprodução de alimentação, comportamento e hábitos de nidificação estão tão próximas do estilo dos manuais, tratados e enciclopédias de vida animal que por vezes esquecemos que se trata de fantasia. As soluções encontradas pelos desenhistas são bastante convincentes e engenhosas, por vezes divertidas. Destaco o simpático pinguim reptiliano e o octópode com características de anfíbio. Outros espécimes bem que poderiam figurar no elenco dos Muppets...


No mundo dos novos dinossauros a configuração dos continentes e zonas climáticas permanece como conhecemos hoje. Cada continente, ou reinos zoogeográficos, tem o seu conjunto próprio de vida selvagem.
As formas das criaturas são completamente diferentes das dos períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo, mas todos eles têm evoluído a partir de uma mesma linhagem réptil original.

As espécies não são as mesmas em todo o mundo. Há uma série de regras que definem os tipos de animais que podem viver em um lugar específico e não em outro. O fator mais óbvio que determina a vida animal de uma determinada área é o ambiente dessa área - o clima, o terreno, as plantas que crescem lá, outros animais que ali existem, na verdade tudo o que contribui para o ambiente e habitat. Podemos ver imediatamente que um animal que vive em um ambiente de montanha, e é particularmente bem adaptado para viver em um ambiente de montanha, não vai sobreviver por muito tempo se for introduzido na região do pântano - e vice-versa. 

O agrupamento dos animais de acordo com suas relações evolutivas, e não de acordo com os ambientes em que vivem, pode dividir o mundo em regiões conhecidas como reinos zoogeográficos. Cada reino zoogeográfico irá conter uma coleção de animais que é peculiar a si mesmo e que evoluiu relativamente independente do conjunto de animais de outra esfera. As fronteiras entre as esferas podem ser bem marcada, como por oceanos, ou podem ser bastante nebuloso, com vários tipos de animais capazes de atravessar a partir de um para o outro. A existência dos reinos é efetuada pelas barreiras naturais à migração que surgem por causa da geografia física. Uma cordilheira ou um deserto pode dividir um conjunto de animais.

Existem seis reinos geográficos: o Neoártico (que corresponderia a América do Norte), o Paleoártico (Europa e Rússia asiática), o Neotropical (América central e do Sul), o Ethiópico (a África) , o Oriental (Oriente Médio, Índia e sudeste asiático) e o Australasiano (Oceania e ilhas do Pacífico).

Quanto aos mamíferos? Eles surgiram no período Triássico, como pequenas criaturas insetívoras. Até o final do Cretáceo eles ainda eram pequenas criaturas insetívoros. Não tiveram oportunidade de se expandir e diversificar, e continuam da mesma forma neste mundo alternativo. De modo que não será possível a evolução de outros mamíferos e a existência dos seres humanos. Os novos dinossauros continuaraão reinando...

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